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O filme “O Ancoradouro do Tempo”, realizado por Sol de Carvalho, voltou a ser exibido em Maputo nos dias 26, 27 e 28 de Fevereiro, no histórico Cine-Teatro Scala, reafirmando o seu impacto junto do público e o interesse que tem despertado no panorama cultural moçambicano. Depois de uma estreia bem-sucedida em Novembro do ano passado, a obra regressou à capital a pedido de muitos espectadores, consolidando-se como uma das produções mais marcantes do cinema nacional contemporâneo.
Elísio Nuvunga
Inspirado no romance “A Varanda do Frangipani”, de Mia Couto, o filme propõe uma reflexão profunda sobre memória, identidade e tempo. A narrativa acompanha Izidine, um jovem inspector da polícia destacado para investigar o assassinato de Vasto Excelêncio, director de um lar instalado numa antiga fortaleza colonial. No entanto, a enfermeira Marta defende que o verdadeiro crime ultrapassa o homicídio e está ligado ao próprio significado daquele espaço, carregado de história e simbolismo.
A investigação ganha contornos inesperados quando todos os idosos do lar confessam o crime, cada um apresentando razões plausíveis e revelando um histórico de maus-tratos protagonizado por Excelêncio. A trama subverte o modelo tradicional do policial ocidental, onde se procura o inocente, para colocar todos como assumidos culpados, deslocando o centro da narrativa do “quem matou” para o “porquê” e para aquilo que o espaço representa.
Filmado na icónica Fortaleza de São Sebastião, na Ilha de Moçambique, o cenário foi escolhido pela sua força visual e simbólica. Entre realismo mágico, espiritualidade, memória e crítica social, “O Ancoradouro do Tempo” convida o público a revisitar a história moçambicana e os seus dilemas, dando voz ao que permanece no silêncio das pedras e das memórias. A exibição em Maputo marca o início do percurso do filme em território nacional, com o compromisso de o levar igualmente a outras províncias, ampliando o acesso ao cinema como um grande espaço de diálogo cultural.
A ficha técnica inclui a direcção de Sol de Carvalho e o roteiro assinado por Mia Couto e pelo próprio realizador. O elenco integra Maria Adamugy, Tomas Bié, Horácio Guiamba, Mário Mabjaia e Josefina Massango. A produção é da Real Ficção, em co-produção com a Promarte, a Autentika Films, a Gamboa & Gamboa e a Caméléon Production.
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