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PETRÓLEO CAI 11% APÓS ANÚNCIO DE DONALD TRUMP SOBRE TRÉGUA TEMPORÁRIA COM O IRÃO

Os preços do petróleo registaram uma queda acentuada de cerca de 11% na segunda-feira (23). O recuo ocorreu após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado que adiaria qualquer ataque militar contra as usinas de energia iranianas por um período de cinco dias, citando a existência de conversas “construtivas” e “grandes pontos de acordo” para resolver as hostilidades no Médio Oriente.

Os contratos futuros do Brent caíram 12,25 dólares (10,9%), fechando a 99,94 dólares por barril. Já o WTI (West Texas Intermediate) perdeu 10,10 dólares (10,3%), fixando-se nos 88,13 dólares. Esta variação extrema elevou a volatilidade histórica dos futuros de 30 dias para o nível mais alto desde abril de 2022. No mesmo sentido, os futuros da gasolina e do diesel nos EUA também recuaram cerca de 10% após terem atingido máximos de quatro anos na última sexta-feira.

Apesar do tom optimista da Casa Branca, o cenário permanece instável. O Irão desmentiu a existência de negociações e anunciou novos ataques contra Israel e outros pontos na região. Os Guardas Revolucionários iranianos ameaçaram “obliterar” as usinas de energia de Israel e as que abastecem as bases americanas no Golfo, caso Trump cumpra as suas ameaças contra a rede eléctrica iraniana.

A guerra já interrompeu a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL). Embora dois navios-tanque com destino à Índia (carregados nos EAU e Koweit) tenham conseguido atravessar a via na segunda-feira, o tráfego geral permanece bloqueado.

Analistas estimam uma perda de produção entre 7 à 10 milhões de barris por dia na região.

O director executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que esta crise é mais grave do que os dois choques petrolíferos da década de 1970 combinados. Perante a escassez de abastecimento, os EUA suspenderam temporariamente as sanções sobre o petróleo russo e iraniano que já se encontrava no mar.

Refinarias indianas e de outras zonas da Ásia já planeiam retomar a compra de crude iraniano. Por fim, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, descartou a libertação de mais petróleo da Reserva Estratégica americana para acalmar os mercados.


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