Mundo

WASHINGTON EQUACIONA INTERVENÇÃO MILITAR PARA REABRIR O ESTREITO DE ORMUZ

O Governo dos Estados Unidos intensificou a análise de opções militares para forçar a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das artérias mais vitais do comércio mundial, actualmente bloqueada pelo Irão. A passagem, que liga os golfos Pérsico e de Omã, é responsável pelo escoamento de 20% do petróleo e gás global.

Desde o final de fevereiro, na sequência de ofensivas conjuntas entre Washington e Israel, Teerão interrompeu o tráfego marítimo como forma de retaliação, provocando um choque de oferta sem precedentes nos mercados energéticos.

Entre as estratégias em cima da mesa na Casa Branca, destaca-se a criação de um sistema de escoltas navais. Neste cenário, navios de guerra norte-americanos e de países aliados acompanhariam comboios de petroleiros para os proteger de drones, mísseis e minas marítimas.

Contudo, especialistas alertam para a elevada complexidade e custo desta operação, estimando que seriam necessários dois navios militares para cada cargueiro comercial. Além disso, a proximidade da costa iraniana torna as embarcações alvos fáceis para os armamentos de Teerão, o que tem gerado hesitação em aliados como França, Japão e Austrália em enviar forças navais para a região.

Uma alternativa mais drástica, que não está descartada, envolve uma intervenção terrestre. O recente envio de 5.000 fuzileiros navais e do navio de assalto anfíbio USS Tripoli para o Médio Oriente reforça a tese de que os EUA podem tentar neutralizar os lançadores de mísseis em solo iraniano.

Outro ponto de pressão estratégica é a Ilha de Kharg, responsável por 90% das exportações petrolíferas do Irão. Analistas sugerem que as forças norte-americanas poderiam ocupar a ilha para a utilizar como moeda de troca nas negociações, evitando a destruição da infra-estrutura, mas retirando a Teerão o seu principal activo económico.

A resposta iraniana tem sido marcada pela intransigência. O regime de Teerão já advertiu que qualquer ataque às suas instalações energéticas constitui uma “linha vermelha” e ameaçou retaliar contra a infra-estrutura de energia dos aliados dos Estados Unidos no Golfo.

Com o Estreito de Ormuz bloqueado e a diplomacia num impasse, a formação de uma coligação internacional liderada por Donald Trump, que inclui pedidos de apoio ao Reino Unido e até à China, surge como a última tentativa de restaurar a circulação marítima antes de um possível confronto directo de larga escala.


Discover more from MIRAMAR

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Leave a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Articles
Mundo

Ataques terroristas do 11 de Setembro completam 25 anos com Estados Unidos em guerra

Ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 deixou 2.977 mortos no...

Mundo

EUA bloqueiam 94 navios junto ao Irão e tensão no Estreito de Ormuz volta a subir  

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou...

Mundo

ONU aprova novo mapa-múndi para corrigir distorções que reduzem a África e ampliam países polares

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou na passada...

Mundo

Novo mapa-múndi da ONU corrige distorções de continentes e propõe revisão da projecção de Mercator 

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou na passada...